Tadashi Yamashita chora durante coletiva de imprensa que anunciou a retirada da Toyota da F1
Sem definir prioridades, a direção esportiva da Toyota sempre procurou avanços importantes a cada carro lançado, se esquecendo de que, às vezes, mudanças menores podem proporcionar melhores resultados a longo prazo.
Após um ano de testes intensivos com o TF01, idealizado pelo austríaco Gustav Brunner, a escuderia estreou na categoria mostrando que não estava preocupada com dinheiro - um pesadelo recorrente que afetou outras montadoras, como a Jaguar e a Renault.
Sem apostar na continuidade, a Toyota foi bastante criticada pela imprensa quando dispensou, simultaneamente, Mika Salo e Allan McNish no final de 2002. Afinal, não haviam dados que pudessem comprovar se o desempenho havia sido positivo ou não.
Para se ter uma ideia, o brasileiro Cristiano Da Matta terminou a temporada de 2003 com 10 pontos, em uma modesta 13ª posição no Campeonato - duas posições à frente de seu companheiro de equipe, o veterano Olivier Panis.
Sob o regulamento aplicado em 2002, no entanto, ele teria marcado apenas dois pontos - o mesmo que Mika Salo conferiu à Toyota em seu ano de estreia. A percepção da equipe na ocasião, foi a de que Salo não havia emplacado.
Além dos novos pilotos, a escuderia passou por uma importante mudança estrutural e um profundo realinhamento de papéis. Em razão disso, o sueco Ove Anderson, um dos grandes responsáveis pelos títulos conquistados pela marca no WRC, passou a ocupar um cargo simbólico, de conselheiro da Toyota Motorsports.
Para o seu lugar, a Toyota designou Tsutomo Tomita, que passou a acumular os cargos de Presidente do Conselho da TMC e o de Diretor Superintendente da escuderia. E tão logo assumiu as rédeas, o novo chefão contratou, a peso de ouro, o engenheiro Mike Gascoyne para função de diretor técnico.
Mas os planos naufragaram e a primeira temporada completa sob a tutela do engenheiro foi marcada mais pela demissão de Cristiano da Matta do que pelos resultados.
Da Matta dizia que os problemas do carro estavam, principalmente, na suspensão e no assoalho. Mas Gascoyne, erroneamente, resolveu ignorar o brasileiro e direcionou o desenvolvimendo para a parte aerodinâmica.
Depois, Gascoyne passou a negociar abertamente no paddock a contratação de Jarno Trulli. Em Silverstone, a um cumprimento de praxe do brasileiro, Trulli foi irônico e respondeu com um "banzai". Alguns dias depois, Da Matta e Gascoyne se desentenderam durante uma sessão de testes em Jerez e o divórcio se consumou.
Para fechar o ano com chave de ouro, o time japonês passou a ser investigado por uma suposta espionagem nos dados técnicos da Ferrari. Ao que constava, o TF103, modelo utilizado na temporada anterior, era bastante similar ao Ferrari F2002.
No começo de 2005, Jarno Trulli ainda conseguia incomodar Fernando Alonso. O italiano conquistou, inclusive, uma pole no Grande Prêmio dos Estados Unidos — de que acabou não participando por conta da retirada dos parceiros da Michelin.
Mas o TF105 parou de evoluir. Com Ralf Schumacher, o time conquistou mais uma pole "espírita" no Grande Prêmio do Japão. E só. Segundo se comentava, Gascoyne já estava com a cabeça no carro do ano seguinte.
A situação do engenheiro, no entanto, começou a se deteriorar quando, nos primeiros treinos da pré-temporada de 2006, o TF106 se revelou pouco competitivo.
Diante das constantes queixas dos pilotos e do fiasco no início da temporada, a cúpula da Toyota optou em demitir o engenheiro.
O início do fim
Muitos acreditam que a pressão para abandonar o projeto de Fórmula-1 (como fizeram no Mundial de Rali, mesmo vencendo) era previsível e se tornou evidente no momento em que o grupo se preocupou em formar uma parceria com a Williams, em 2006.
No ano seguinte, Tomita também não resistiu a pressão e deixou o posto de chefe na escuderia para assumir a direção do autódromo de Fuji, que voltava ao circo naquela oportunidade. Acabou substituído pelo seu vice, Tadashi Yamashita, o chorão da foto acima.
Com o belíssimo TF101, a Toyota iniciou sua preparação em busca da Fórmula-1
Tendo em vista a grande campanha em 2005 e o desempenho sólido do ano anterior, a temporada 2007 foi desastrosa para a Toyota na Fórmula-1.
Com dificuldades para se adaptar aos compostos da Bridgestone (fornecedora exclusiva a partir daquele ano), o time japonês marcou apenas 13 pontos e terminou o Campeonato numa modesta 6º colocação.
No ano seguinte, o engenheiro Pascal Vasselon acertou a mão e renovou as esperanças da Toyota. Com Trulli e Glock, a equipe somou 56 pontos e garantiu a quinta colocação no mundial de construtores.
Mas a crise econômica mundial atingiu em cheio o setor automobilístico. Desde então, a diretoria da Toyota sabia que teria de realizar um bom Campeonato para permanecer na Fórmula-1.
Apesar de um início de temporada promissor com o TF109, equipado com o difusor duplo, o time falhou, mais uma vez, em vencer sua primeira prova.
A solução para a falta de competitividade, no entanto, sempre esteve mais próxima do que todos em Colônia podiam imaginar, mais especificamente na própria matriz.
Afinal, graças à sua filosofia corporativa de melhoria contínua, a marca explorou ao máximo o lema de que "um cliente é para sempre" e conquistou um alto índice de fidelização de novos consumidores.
Criado nos anos 50 pelo engenheiro Taiichi Ohno, o modelo de gestão da empresa, mais conhecido como "Toyotismo", se tornou referência de mercado e passou a ser adotado por indústrias dos mais variados setores.
Ao contrário dos resultados pífios obtidos pela equipe na Fórmula-1, a montadora passou a colecionar prêmios de excelência produtiva e se tornou a maior montadora de automóveis do mundo.
Não por acaso, fica claro que a empresa não considerou sua programação na categoria dentro desse contexto.
Novos rumos?
Diante da crise mundial e dos prejuízos operacionais no encerramento do último ano fiscal (o primeiro desde 1941), a TMC decidiu substituir o antigo presidente, Katsuaki Watanabe, pelo vice Akio Toyoda.
Neto do fundador da empresa, Akio assumiu a responsabilidade de estimular a venda de novos modelos com consumo eficiente de combustível e superar a queda da demanda na América do Norte.
Kobayashi, durante testes no ínicio de 2009, no Algarve
E foi ele quem anunciou a retirada da equipe da Fórmula-1, em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, em Tóquio. Ao lado de Tadashi Yamashita, Toyoda explicou que a saída da categoria era uma questão dificíl, mas que ganhou força com a crise econômica do ano passado.
"Desde o ano passado, com a péssima situação econômica, sempre falhamos no questionamento de continuar ou não da F-1. Agora, estamos saíndo completamente", afirmou. "Minhas sinceras desculpas aos diversos fãs da Toyota que não puderam alcançar os resultados que nós almejamos."
O adeus da equipe significa, também, a partida de John Howett, presidente da Toyota Motorsports, que ocupou o cargo de vice-presidente da FOTA desde a sua criação
Já a sensação das duas últimas etapas, o japonês Kamui Kobayashi, pode ter de trocar a carreira de piloto pela de sushiman.
"Não tenho como correr de GP2 no ano que vem, eu teria que voltar para o Japão e trabalhar com meu pai no restaurante de sushi dele", revelou o piloto, que até os 16 anos ajudava o pai no negócio.
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